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A “jam session” de Jimi Hendrix em Woodstock

janeiro 8, 2009

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Durante três dias do mês de agosto de 1969, dezenas de artistas se reuniram para o maior festival de rock até então. Realizado na cidade rural de Bethel, próxima de Nova York, o evento ocupou uma área de 2,4 quilômetros quadrados e simbolizou a contracultura do final dos anos 60 e início dos 70, bem como a “era hippie”. O público estimado foi de 500 mil pessoas e, até hoje, o festival é celebrado pelos amantes do rock, tendo inclusive sido citado pela Rolling Stone como um dos 50 momentos que mudou a história do rock n? roll.

Entre os dias 16 e 18 de agosto, uma forte chuva castigou o público presente ao festival, que teve shows de artistas como Janis Joplin, The Who, Santana, Joe Cocker, Canned Heat e Crosby, Stills, Nash & Young. O guitarrista Jeff Beck também ia tocar, mas desistiu. Sem Beck, o principal guitarrista a brilhar em Woodstock acabou sendo Jimi Hendrix, que, devido aos longos atrasos entre as apresentações, só pôde iniciar o seu show às nove da manhã (?!?) do dia 19 de agosto, uma segunda-feira.

Os hippies topavam tudo, mas somente 25 mil pessoas agüentaram a maratona para presenciar o concerto de Hendrix, que recebeu o maior cachê do festival: 18 mil dólares pelo show e mais 12 mil pelos direitos de filmagem.

Jimi Hendrix havia dispensado o seu primeiro trio (Jimi Hendrix Experience) poucas semanas antes do show em Woodstock. A última apresentação do trio foi no Denver Pop Festival, dois meses antes de Woodstock. Talvez por esse motivo, o locutor oficial do festival, MC Chip Monck, tenha anunciado erroneamente, antes do show, o nome da Jimi Hendrix Experience.

A nova banda de Hendrix era formada por Billy Cox (baixo), Mitch Mitchell (bateria), Larry Lee (guitarra base), Jerry Velez e Juma Sultan (ambos na percussão), ou seja, uma mistura da Gypsy Sun e do Rainbows. Segundo o guitarrista, o sexteto nada mais era do que a Band Of Gypsys, nome de sua futura banda. E a explicação é simples: a estridente guitarra solo de Hendrix acobertava a guitarra base de Larry Lee, e as porradarias do baterista Mitch Mitchell não davam vez para os pobres percussionistas. De qualquer forma, e isso é inegável, como pode ser observado em diversos momentos do show, essa “banda provisória” fez com que Hendrix se reencontrasse com o blues e o rhythm and blues.

Com tanta novidade, o show de Jimi Hendrix em Woodstock pode ser considerado “caótico”, no melhor sentido da palavra. Foram pouco mais de duas horas de show (o mais longo da carreira do guitarrista), que, na verdade, se constituíram em uma grande “jam session”. Aproveitando a nova formação de seu conjunto, Hendrix aproveitou para testar novas possibilidades, e até mesmo, voltar a tocar o blues “Hear My Train A Comin”, que estava fora do repertório de seus shows havia mais de dois anos. O guitarrista também compôs o rockão “Izabella”, justamente para o festival. “Villanova Junction”, um blues instrumental, também era praticamente inédita, eis que composta em maio de 69. Aliás, a introdução da apresentação, com a funkeada “Message To Love”, já mostrava que aquele show não seria igual aos outros.

Hendrix também testou novas sonoridades, como em “Jam Back At The House”, uma espécie de “fusion”, na época em que esse gênero musical sequer existia. E ainda fez uma improvisação (previsivelmente intitulada de “Woodstock Improvisation” no CD e DVD que registram a apresentação), durante a qual, a sua guitarra só faltou pedir arrego.

Mas, como não poderia deixar de ser, Jimi Hendrix apresentou os seus sucessos (que já podiam ser chamados de clássicos, apesar da pouca idade), como “Red House” (executada por Hendrix mesmo com uma corda de sua guitarra arrebentada), “Foxey Lady” (em uma versão, mais uma vez, “caótica”), “Fire” (alguém conseguiu ouvir os percussionistas?), “Purple Haze” e “Hey Joe”, esta última, já no bis, foi o último suspiro do festival de Woodstock.

Apesar dos sucessos, duas outras canções podem ser consideradas os grandes momentos do show. A introdução com a guitarra “wah wah” em “Voodoo Child (Slight Return)” foi a deixa para uma arrepiante versão com quase quinze minutos de duração. E o hino dos Estados Unidos (“Star Spangled Banner”), apresentado logo em seguida, foi a fecho de ouro do festival (e do fim da década de 60), com a estridente guitarra de Jimi Hendrix chorando misturada ao som da bateria e das percussões, que mais pareciam bombas explodindo na Guerra do Vietnã.

Talvez a melhor síntese da apresentação de Jimi Hendrix no festival de Woodstock tenha sido feita pelo jornalista David Fricke, que soube expor, como ninguém, a fase que o guitarrista passava em sua carreira. “Woodstock não foi o melhor show de Hendrix, mas foi o seu mais honesto. Tudo o que estava certo, errado e sem resolução sobre a sua música e sua carreira, veio à tona naquele show, sem pedido de desculpas. Jimi Hendrix queria fazer música tão profunda quanto o oceano, tão grande quanto o céu, e tão real quanto a sua vida. Aqui está como ele tentou fazer tudo isso em apenas uma manhã, ao final de um longo e estranho fim de semana em agosto de 1969”.

Se quiser comprovar, corra e coloque o DVD para rodar. Mas, de preferência, em um sábado à noite…  
 


Fonte: Esquina da Música

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JIMI HENDRIX MORREU HÁ 38 ANOS

setembro 19, 2008

  
 
Autor da maior guitarrada de todos os tempos segundo a edição especial BLITZ rock puro & duro, de Setembro, desapareceu no dia 18 de Setembro de 1970.
 
Manhã de 18 de Setembro de 1970: Jimi Hendrix é encontrado morto no apartamento da namorada, no Samarkand Hotel em Londres. Uma sobredose de comprimidos para dormir depois de uma bebedeira numa festa terá feito com que asfixiasse no próprio vómito. Tinha 27 anos, tocava todas as noites nos clubes R&B como guitarrista de Little Richard e dos Isley Brothers e começava a ser famoso à escala planetária depois da actuação no Woodstock, em 1969.Trinta e oito anos depois, no top das 50 melhores guitarradas de sempre que a BLITZ publicou no especial rock puro & duro, de Setembro, “Purple Haze”, segundo single britânico e primeira faixa da versão americana do álbum de estreia Are You Experienced , de 1967, aparece num inequívoco primeiro lugar.”Guitarra – podes tocá-la ou transcendê-la”, disse Neil Young quando o recebeu, a título póstumo, no Rock & Roll Hall of Fame, em 1992. “O Jimi mostrou-me isso. Ouvi, senti e quis fazê-lo”.”A viagem galáctica veio dos overdubs gravados a 3 de Fevereiro de 1967: os solos de Hendrix, nadando em eco e brilhando com harmonias, subiram umas oitavas e duplicaram a velocidade com os efeitos de estúdio. Em menos de três minutos, Hendrix iniciou uma nova era de expressão no seu instrumento. Essa era ainda não terminou”, escreveu a BLITZ na última edição.

Quase quatro décadas depois, a primeira Fender Stratocaster incendiada em palco pelo homem declarado livre no verso “‘scuse me while I kiss the sky” foi rematada por 350 mil euros num leilão no início do mês, repetem-se os tributos, continua a aparecer material inédito e o mais popular jogo musical dos anos 00, o Guitar Hero, soube-se hoje que lhe vai dedicar uma edição especial. E à poderosa lenda que lhe sobreviveu.

Jimi Hendrix, ao vivo em 1970