O fim dos brindes médicos nos Estados Unidos

NOVA YORK, 5 de janeiro de 2009 – Além do banco de investimento Lehman Brothers, da rede de artigos para o lar Linens’n Things e da fita virgem VHS, acrescente outra instituição americana que expirou em 2008: os brindes de empresas farmacêuticas.

A partir de 1º de janeiro, o setor farmacêutico concordou em declarar moratória voluntária dos brindes de marca – canetas Viagra, dispensadores de sabonete Zoloft, canecas Lipitor – que tinham por intenção promover a boa vontade e, alguns diriam, incentivar os médicos a prescrever mais dos medicamentos.

A Merck não fornecerá mais para os médicos ataduras adesivas violetas que fazem publicidade da Gardasil, uma vacina contra o papilomavirus humano. Banidas, também, estão as camisetas da Allergan adornadas com cristais de rocha nas letras B-O-T-O-X. Da mesma forma estão banidas as canetas que fazem publicidade do sonífero Lunesta, da Sepracor, em cujos interiores flutuam o mascote da marca, uma mariposa sonolenta.

Alguns céticos criticam o banimento voluntário como uma medida superficial que nada faz para diminuir as bem maiores quantias que os laboratórios farmacêuticos gastam a cada ano em vários outros esforços para influenciar os médicos. Mas os defensores o saúdam como um passo na direção de acabar com a barragem de medicamentos e logos que cercam, e podem influenciar de forma subliminar, os médicos e os pacientes.

“Não são só as canetas, é o papel na mesa de exame, o depressor de língua, as placas do estetoscópio, os instrumentos de medição que podem ser usados para interpretar um eletrocardiograma, penlights médicos”, disse Robert Goodman, um médico do Montefiore Medical Center no Bronx. Em1999, Goodman lançou o “No Free Lunch”, Almoço Grátis Não, uma organização sem fins lucrativos que encoraja os médicos a rejeitar brindes de companhias farmacêuticas. “Praticamente qualquer coisa na qual é possível imprimir um nome tem alguma marca em um consultório médico”, disse Godman.A atitude voluntária da indústria farmacêutica tenta aparar a impressão que os presentes têm a intenção de influenciar indevidamente os médicos. O código, desenhado pelo grupo setorial Pharmaceutical Research and Manufacturers of America proíbe as farmacêuticas, de dar aos médicos canetas, grampeadores, lanternas e outros objetos com a marca de medicamentos ou dos laboratórios. As diretrizes também reiteram os códigos que proíbem a doação de mercadorias caras e de serviços como tíquetes partidas esportivas. E convida as empresas que financiam cursos médicos e bolsas de estudos a deixar a seleção do tema a ser estudado a um coordenador de programa independente.

(The New York Times – Gazeta Mercantil)

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