“Appetite For Destruction”, Guns n’ Roses: Uma estréia com muito apetite

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 Os primeiros acordes de guitarra já anunciavam algo diferente. Com o “Oh my God” e o berro de Axl Rose que vinham em seguida, não havia mais dúvidas: mais uma grande banda estava surgindo. E era exatamente tudo o que o rock precisava naquele ano de 1987, quando o Guns n’ Roses lançou o seu primeiro álbum. Axl Rose, Slash, Duff McKagan, Izzy Stradlin e Steven Adler, com uma média de idade de 25 anos, já entravam, naquele momento, para a história do rock.

O Guns n’ Roses podia (e ainda pode, apesar de tantas mudanças) ser considerada uma banda essencialmente de hard rock. A voz rascante de Axl Rose, a guitarra alucinante de Slash, e a cozinha com o baixo de Duff, a guitarra-base de Izzy e a bateria de Adler faziam uma maçaroca sonora que, timidamente marcou os norte-americanos para depois conquistar o mundo.

Inicialmente, Paul Stanley, do Kiss, iria produzir “Appetite For Destruction” (lançado a 31 de julho de 1987), mas a bola acabou ficando com Mike Clink. Para o álbum, gravado no Rumbo Studios, localizado em um subúrbio de Los Angeles (quanta diferença para os 14 mega-estúdios de “Chinese Democracy”…), Slash pretendia fazer algo parecido com o Aerosmith. Já o seu colega Axl Rose preferia uma sonoridade parecida com a de “Ride The Lightning”, lendário disco do Metallica. Nem um, nem outro! E esse talvez seja o motivo de o Guns n’ Roses surgir com uma sonoridade tão original. Aliás, a idéia inicial era gravar o álbum ao vivo, de uma tacada só, em estúdio. Mas, naquela época, Axl Rose já era perfeccionista…

O desenho da capa concebida pelo pintor californiano Robert Willians já começou causando polêmica. A imagem de uma mulher, provavelmente estuprada, e com um robô segurando o seu coração não agradou muito às emissoras de rádio e televisão, que acabaram por não promover o disco. Além do mais, as suas letras estavam cheias de referência a drogas. E somente a palavra “fuck” era berrada por Axl 13 vezes, nas 12 faixas de “Appetite For Destruction”.

Por conta de tudo isso, o álbum, logo que lançado, vendeu apenas 200 mil cópias nos Estados Unidos. David Geffen, o dono da gravadora, ficou relativamente feliz com o resultado da estréia, e começou a pressionar para que a banda entrasse logo em estúdio para gravar o seu segundo trabalho. Mas aí, a mágica aconteceu, e o talento venceu a hipocrisia. O Guns n’ Roses gravou um videoclipe para a faixa de abertura “Welcome To The Jungle”, e a MTV começou a veiculá-lo incansavelmente. Da noite para o dia, as vendas aumentaram em mais de dez vezes, e “Appetite For Destruction” chegou ao topo da parada da Billboard, e por lá ficou durante 3 semanas.

Mas o maior hit do álbum ainda estava por vir. “Sweet Child O’ Mine”, com aquele já clássico solo de guitarra de Slash, virou single, e o álbum voltou para ficar mais cinco semanas no topo da Billboard. Resultado: em 18 meses, o disco, antes renegado, vendeu 35 milhões de cópias ao redor do planeta. Até hoje, o disco já foi comprado por 16 milhões de consumidores nos Estados Unidos.

Ademais, a revista Rolling Stone nomeou “Appetite For Destruction” o 27º melhor álbum dos anos 80, e 61º na votação para melhor de todos os tempos. Já a britânica Kerrang! foi mais direta. Em recente pesquisa, “Appetite For Destruction” foi eleito o melhor álbum de rock de todos os tempos pela revista.

Mas o disco de estréia do Guns não parava em “Welcome To The Jungle” ou “Sweet Child O’ Mine”. Além delas, havia também outro single arrasa-quarterão. “Paradise City”, que estava escondida lá no final do lado B do vinil, rodou na MTV até cansar, e, até hoje, encerra os escassos shows do Guns n’ Roses. A canção, assim como “Sweet Child O’ Mine”, chegou ao primeiro lugar da parada de singles da Billboard.

“Mr. Brownstone”, com a sua referência à heroína (“We been dancin’ with / Mr. Brownstone / He’s been knockin’ / He won’t leave me alone”), foi outra que tocou bastante. “It’s So Easy”, com a clássica levada de baixo na introdução, foi lançada antes do álbum, no single de estréia da banda. Uma versão mais apurada acabou entrando em “Appetite For Destruction”.

Outras grandes canções do disco são a autobiográfica “Out Ta Get Me”, que fala sobre os problemas de Axl Rose com a polícia (“They’re out ta get me / They won’t catch me / I’m innocent / They won’t break me”), e que abria todos os shows da banda, antes do sucesso; “You’re Crazy”, que ganhou uma versão elétrica pesadíssima, bem diferente da acústica que a banda havia gravado anteriormente, e que acabou entrando no disco seguinte, “Lies”; e “Rocket Queen”, que conquistou com a sua sonoridade deliciosa. Já “Anything Goes” é considerada, de forma unânime, a mais fraca do álbum. Mas àquela altura, quem é que vai reclamar de um álbum, que ainda tinha “Nightrain” e “My Michelle”?

“Appetite For Destruction” é tudo isso e mais um pouco. Dá até pena pensar que Axl Rose e seus novos companheiros demoraram mais de 15 anos para gravar um álbum que não chega nem aos pés desse clássico disco de estréia…

Faixas:

1) Welcome To The Jungle

2) It’s So Easy

3) Nightrain

4) Out Ta Get Me

5) Mr. Brownstone

6) Paradise City

7) My Michelle

8) Think About You

9) Sweet Child O’ Mine

10) You’re Crazy

11) Anything Goes

12) Rocket Queen

 

Fonte: Esquina da Música

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