Guns N’ Roses: a fúria renasce hoje

105319FOTOS: divulgação/GS

As primeiras músicas assustaram. Seria o Guns n’ Roses mais um refém da música eletrônica? Teria Axl Rose, após tantos anos de reclusões e confusões, sido seduzido por timbres industriais? Com um grupo novo a cada seis meses, o futuro da maior banda do mundo do início dos anos 90 era incerto. O novo álbum de músicas inéditas, postergado durante 14 anos, era lenda. Não passava de balela. Virou piada.

Sem Slash, Duff Mackagan ou qualquer outro músico que desse certeza de que o Guns n’ Roses fosse manter um mínimo de ligação com seu passado, Axl Rose conduziu o barco sozinho. Gravou, regravou, marcou, adiou. Foi em 2001 a tentativa mais próxima de renascimento. A banda voltou ao palco no Rock in Rio 3, no Brasil, com um vocalista gordinho e músicas novas.

Madagascar, uma balada cheia de teclados, conquistou os fãs. Já outras canções com guitarras cheias de efeitos eletrônicos fizeram muita gente virar a cara. Ninguém queria o Guns parecendo o Marilyn Manson. A turnê, que era para seguir adiante, desandou e tudo voltou à estaca zero. Notícias davam conta de que o disco novo estava pronto, mas Axl mandou que os músicos regravassem tudo. Nesse vai-e-vem, contam as histórias obscuras do rock’n’roll que teriam sido gastos mais de 13 milhões de dólares e um número sem fim de horas de estúdio.

Em 2008, um novo sopro de esperança. A marca de refrigerantes Dr. Pepper prometeu publicamente que daria uma unidade de seu produto para cada americano caso o Guns n’ Roses lançasse seu álbum ainda este ano. Pois parece que vai se dar mal. O mundo todo noticia: neste domingo, 23 de novembro, Chinese Democracy chega às lojas. E parece que, dessa vez, não é invenção.

Até mesmo lojas brasileiras já vendem por encomenda o CD, que ganhará ainda versão em vinil. E pra quem não acredita, o site de relacionamentos Myspace lançou na quinta-feira um canal especial da banda, incluindo contagem regressiva para o lançamento e, tcharãm: todas as 14 músicas, na íntegra, para audição. Todas. Quer mais credibilidade que isso?

TÁ, E AÍ? – E aí que quem pensou no Guns como um lixo industrial, um emaranhado de guitarras e baterias eletrônicas sem criatividade, vai ter que tapar a boca. Palavra de quem começou a gostar de música por causa do Guns n’ Roses: Chinese Democracy é de arrepiar os pêlos do braço. Talvez um pouco pela sensação de ouvir a banda na ativa novamente, mas muito mais pela qualidade.

Axl Rose tem, sim, muita garganta ainda. Há toques eletrônicos, mas o rock, cru, é a verve do trabalho. Os rocks de arena não existem mais, mas uma profusão de baladas que não necessitam mais do que voz e piano ganham cara de hits automáticos. A produção às vezes é exagerada, mas pode ser explicada pela necessidade de lançar algo com um mínimo de erros, que justificasse a espera de longos anos.

O primeiro single é um petardo, Chinese Democracy, para mostrar que o grupo não abandonou o peso. Não espere a raiva de Appetite for Destruction, os violões de Lies, nem o sucesso pop de Use your Illusion. O novo disco é único na história do Guns, sem rótulos. Algumas canções surpreendem por fugirem totalmente do que os fãs estão acostumados. Mas tire as suas próprias conclusões. Pra saber antes de o disco chegar às lojas, dê uma passada em myspace.com/gunsnroses.

O Guns n’ Roses, por enquanto, é Axl Rose, Tommy Stinson (baixo), Ron “Bumblefoot” Thal (guitarra), Dizzy Reed (piano e teclados), Frank Ferrer (bateria), Richard Fortus (guitarra) e Chris Pitman (teclados e programação eletrônica). Viva a democracia chinesa.

CANÇÃO A CANÇÃO

1.Chinese Democracy – O disco começa nervoso no primeiro single. Uma guitarra base pesada sustenta uma sobreposição de vozes. O clima é sombrio é lembra You Could be Mine, de 1991.
2.Schackler’s Revenge – Aqui os efeitos eletrônicos vão afastar os fãs mais puristas no início. O bom refrão eleva o clima. A goela de Axl Rose está mais afiada do que nunca.
3.Better – “Guns n’ Roses?”, dirá você ao ouvir a introdução. A mais comercial até aqui, com belas linhas vocais. Poderia estar em um disco do Linkin Park, mas Axl grita pra lembrar que é Guns.
4.Street of Dreams – O piano introduz a primeira balada do disco. Quem esperava um vocalista limitado, encontra aqui a prova de que a amplitude vocal de Rose continua em forma. Bela canção.
5.If the World – A introdução constrói uma atmosfera sensual, carregada até o final da música. Uma batida suingada conduz um Guns n’ Roses mais maduro, talvez buscando um público à altura. Mas, para o velho e bom rock n’ roll, o momento chato do disco.
6.There was a Time – Mais um rockão. A orquestração no fundo abre passagem pra uma guitarra rasgada no refrão. Os solos de guitarra ganham importância e aparecem em timbres variados. Só falta o Slash.
7.Catcher in the Rye – Uma balada que poderia muito bem ter saído de Use your Illusion. Sem elementos eletrônicos, só o Guns em seu melhor estilo. Uma das melhores de Chinese Democracy.
8.Scraped – As vocalizações marcam a música, que tem uma guitarra grave e abafada. Novamente uma dobra de vocais, em tons diferentes. Não empolga muito, mas fica na média.
9.Sorry – Momento zen. Até explodir por breves instantes em um riff de guitarra econômico e pesado, tipo Black Sabbath.
10.Riad n’ the Bedouins – Se ainda tiver condições físicas, essa será a música pra Axl Rose correr pelo palco, como nos bons tempos. O mais próximo que o Guns chegou aqui ao clima frenético de Appetite for Destruction.
11.IRS – Balada dramática que cresce no refrão. Essa já era conhecida dos shows. Foi uma das músicas que deu aos fãs uma idéia sobre o que seria o Guns após tantos anos na obscuridade.
12.Madagascar – O público brasileiro ouviu essa música no Rock in Rio de 2001. No disco, ganhou bateria eletrônica e um trabalho de dramatização da voz. Belíssima.
13.This I Love – Lirismo puro. Axl Rose transforma o amor do título em música. Não precisa mais do que ele, o piano e uma leve orquestração de fundo. Pra completar, um solo com timbre inspirado da guitarra. Emocionante.
14.Prostitute – Pra terminar, mais uma canção com batida pop, piano e uma guitarra bem de leve, engrossando só no refrão. É uma das radiofônicas de Chinese Democracy. Quando vem o próximo?

fonte: Gazeta do Sul

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